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Seu firewall já sabe quem atacou. Por que ele esquece?

O firewall registra cada tentativa de ataque, e muitas vezes esse registro vai para o lixo. Dá para fazê-lo trabalhar: quem atacou uma vez passa a ser bloqueado sozinho.

Marcos Reis, fundador da iRon King · 3 min de leitura

Todo firewall guarda um diário de tentativas de ataque. Quem tentou explorar uma falha conhecida, quem varreu as portas, quem insistiu na senha do acesso remoto: está tudo lá, com o endereço de origem, a hora e a gravidade.

E o que acontece com esse diário? Muitas vezes ele enche o disco, alguém configura para apagar o mais antigo, e ele só é aberto depois que alguma coisa dá errado. O firewall barra a tentativa daquele momento e não aprende nada com ela. Se o mesmo endereço tentar de novo na hora seguinte, é tratado como se fosse a primeira vez.

É um desperdício que passa despercebido: você já paga por um equipamento que sabe exatamente quem está atacando, e essa informação vai para o lixo.

Como transformar o log do firewall em bloqueio automático

A ideia é simples, e é isso que ela tem de bom. Um pequeno programa lê o registro de ameaças do próprio firewall em intervalos curtos, separa o que é grave de verdade e anota o endereço de quem atacou numa lista. O firewall consulta essa lista sozinho e passa a recusar qualquer conexão nova daquele endereço.

  1. O firewall registra Cada ameaça barrada fica no log, com origem e gravidade.
  2. O programa lê Em intervalos curtos, separa só o que é grave.
  3. A lista cresce O endereço de quem atacou entra, menos os que nunca podem entrar.
  4. O firewall bloqueia Ele consulta a lista sozinho e recusa a próxima tentativa.
O caminho do log ao bloqueio. Ninguém precisa abrir o log nem criar regra à mão.

O registro que ia para o lixo vira a defesa. O firewall deixa de só anotar quem bateu na porta e passa a lembrar quem não deve mais entrar, de madrugada e no fim de semana também.

Por que essa solução é boa

  • Usa o que você já tem. A maioria dos firewalls corporativos sabe importar uma lista de endereços pela rede. Não é um produto novo para comprar: é fazer render o que já está instalado.
  • Trabalha sozinha. A lista se atualiza a qualquer hora, inclusive quando não há ninguém olhando. Ataque não escolhe horário comercial.
  • É segura por desenho. O programa não mexe nas regras do firewall: só escreve uma lista, e o firewall é quem vai buscá-la. Se o programa parar, o firewall continua com a última lista que recebeu.
  • Tudo fica registrado e é reversível. Cada endereço que entra na lista fica anotado, e qualquer um pode ser liberado à mão, na hora.

Quer saber o que o seu firewall está registrando hoje? A revisão do firewall começa por aí.

Os cuidados de uma lista de bloqueio automática

  • As exceções vêm primeiro. Os endereços da sua empresa, de quem trabalha de casa e dos fornecedores de que você depende nunca entram na lista, ou um funcionário errando a senha bloqueia o próprio escritório.
  • Só entra o que é grave e confiável. Em alguns tipos de tráfego, a origem pode ser falsificada para fazer você bloquear quem precisa.
  • Nada fica bloqueado para sempre. Endereço muda de dono, e toda lista tem limite de tamanho: quanto tempo cada um fica é decisão de projeto, assim como proteger a lista e saber que o programa está vivo.

Nos primeiros dias, a lista só registra o que teria bloqueado. Só depois de conferir que ela não pegaria ninguém por engano é que o bloqueio é ligado de verdade, e o que entra nela é aprovado por você antes.

Por onde começar a revisão do firewall

Se o seu firewall guarda um log que ninguém usa, ele é um bom lugar para começar. Em 30 minutos de conversa, a gente olha como o seu firewall está configurado para registrar ameaças, o que daria para transformar em bloqueio e quais exceções você precisaria ter antes. Você sai sabendo se a revisão vale a pena, e nada muda no seu ambiente sem a sua aprovação.

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